antes aqui, agora lah
www.asverdadesinventadas.blogspot.com
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Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou
em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
A viagem de Pedro se aproxima! Antes era apenas o dia 27 de setembro. Aqueeeeeeeeeeeeeele dia distante qualquer. Mas ontem fui a uma despedida de Deborah que morará na Espanha. Ela fez uma despedida e ela já vai viajar dia 26 que é próxima sexta. Ou seja, o dia 27 de setembro deixou de ser o dia 27 para ser o PRÓXIMO SÁBADO! Vcs estão me entendendo?
Tenho certeza que não! Ando sentindo coisas loucas e confusas [ó que novidade!]. Queria pegá-lo e abraçá-lo ao ponto de não largar. Mas isso é muito maternal e não combina comigo [será?]. Estou com vontade de dizer tudo que sinto. Gritar o grito! Mas até já o fiz! Talvez esteja na hora de calar o silêncio.
Acho muito louco isso. Passei 3 anos com uma pessoa, dividindo absolutamente TUDO! Da minha escova em seu banheiro e de uma fanta uva em sua geladeira, até os gases. E agora ele vai embora! Não diria para sempre [cansei de falar que não acredito no NUNCA MAIS e nem no PARA SEMPRE], mas por um bom tempo. Tempo suficiente para doer os telefonemas de madrugada castrados. E tanta outra coisas que serão castradas de mim com sua ausente presença amiga. [ele não é só um amigo, nem nunca será! Muito mais...]
Sim sim! Sei que é para o bem dele! Ajudará em seu crescimento pessoal e tudo mais. E JURO que torço muito para que tudo der certo. Para que a viagem seja um sucesso! Arruma emprego, se enturme rápido, aprenda inglês fluente logo…
Mas saudades dói, sabiam? Dói tanto!
Enfim, estou com vontade de me conter. Calar, silenciar, parar! Mas falta tão pouco tempo, e toda angustia me dá vontade de falar, gritar, correr!
As amizades andam me assustando tanto. Um colega me surpreendeu com uma bela sacanagem. Outra decidiu me evitar por seus medos. E os que confio DE FATO, estão me amedrontando. Na realidade, o final do curso anda me dando calafrios. Todos viajarão e tomarão seus rumos. Os meus são tão incertos…
Comecei a atender. Já tenho dois pacientes. Todos tão parecidos comigo… Com angustias tão similares. Medo da responsabilidade! Logo eu, um ser tão irresponsável! ["Não quero lembrar que eu erro tbm"] Não consigo nem dá conta de mim, imagine de outros…
Espero viabilizar o apaziguamento de suas dores…
Sei lá oq espero de tudo, escreverei um outro post sobre meus atendimentos.
["Roda moinha, roda gigante."]
“Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.”
Cecília Meireles
Os choros calados e abafados que só tem confidência a água que escorre do meu chuveiro. Poderia falar disso e nada adiantaria. Muitas coisas para dizer, mas o dito tomou uma outra dimensão.
A estranheza me assusta tanto. Estou amedrontado pelo incoveniente do “ser só”. E como numa intervenção analítica, barraram meu gozo de um lugar que eu estava odiando estar. Daí parece que saio da posição de enxergar as coisas pela sua sombra – assim, como no mito da caverna de Platão. Mas o que vejo não agradável! A realidade engloba outras dimensões! As vezes queria que as mentiras sinceras me bastassem.
Todas essas palavras se configuram num espaço vazio. Sem cor. Sem desejo. Sem perspectiva de que seja lida na mesma intensidade que as escrevo. E aí, se não são lidas na mesma intensidade que as escrevo; se não são sentidas na mesma intensidade que as sinto; se não são ouvidas na mesma intensidade que as falo; se não são silenciadas na mesma intensidade que as silencio – elas perdem todo o seu sentido!
SANTA CHUVA – Por MARIA RITA
“Vai chover de novo, deu na TV
Que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui que reze ajuda de Deus
Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá que ta me dando uma vontade de chorar
Não faz assim, não vá pra lá
Meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, FOI SÓ AMOR OU MEDO DE FICAR SOZINHO OUTRA VEZ?
Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem!
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV que eu vou de vez
NÃO HÁ PORQUE CHORAR POR UM AMOR QUE JÁ MORREU
DEIXA PRA LÁ, EU VOU, ADEUS
Meu coração já se cansou de falsidade”
Nossa Senhora como ando cansado! O mundo não progride, fica sempre tudo na mesma. As pessoas ficam com a mesma história por semanas. Tem gente que escuta Ivete Sangalo o dia todo e acha que isso é ser feliz. Ai Meu Deus, como eu queria conseguir essa proeza.
A humanidade tem me cansado. E me coloque dentro disso. Odeio pessoas que falam sobre a sociedade em terceira pessoa, como se não participasse dela. Pois bem, eu estou cansado de mim. Nunca tive alma pequena, como diz o Nando Reis. Mas ultimamente fico remoendo pequenos problemas e os tornando grandes. E como insetos em volta da lâmpada os problemas e a monotonia vão aumentando.
Um dia no msn, disse a Marília, que ia ler Clarice e ela me falou:
- Wilker, vai ler outra coisa. Tu só ler Clarice.
E eu entendi o recado dela. Eu só leio Clarice, numa imensa e vasta gama de livros que o mundo produz. Olhem e percebam a gravidade! Todos os dias devem ser lançados dezenas de livros no mundo todo e eu escolho ler UMA única mulher. Quanta burrice!
E parafraseando os Ramones, eu digo: Hey Ho! Let´s Gooooooo!
Na sexta-feira arranquei aquele dente que só nasce quando vc está adulto e que não serve de nada. Acreditem, a cirurgia dói para caralho, você fica inchado e eu me tremi de dor quando a anestesia passou de noite. Por causa disso, tive que passar todo final de semana em casa, e foi bom. Fazia muuuuuuuuuuuuuuito tempo mesmo que não ficava em casa o dia todo por dois dias, como fiquei nesse final de semana.
Até que no final desse domingo fiquei sabendo que “Sex and The city – O filme” estava em cartaz. Marília me avisou, a chamei mas ela me chamou para ir na quarta. Seria tempo demais para mim. Quem me conhece sabe o quanto de lembranças positivas esse seriado me traz.
Pensei nas pessoas para chamar e decidí não chamar ninguém. Ir sozinho, assim como o assistia na minha casa. Peguei o primeiro Cd de Maria Rita e fui ao banho. Um banho demorado e gostoso. Coloquei minha clássica calça jeans, meu tênis baixo, meu relógio antigo, meus óculos e meu habitual perfume. Peguei o ônibus. Cheguei em cima da hora, assim que entrei escutei a música tema do seriado que me deu uma ótima sensação de nostalgia. Sentei rápido.
Assisti ao filme enebriado. Dei muitas gargalhadas e suspirei. Não sei se é o momento que estou vivendo, mas assistir aquele filme foi a melhor coisa que poderia ter feito no meu início de noite de domingo. Sei que o filme deixou a desejar, poderia fazer aqui milhões de críticas, mas danem-se as críticas!
Assim, que saí do filme tratei de mandar uma msg para o Augusto dizendo o seguinte: “Guto, acabei de assistir o filme sex and the city. Lembrei de um tempo q era meu, era seu, era nosso! Adoro meus amigos e quero que você seja um dele para sempre. =]”
Durante o filme, percebi que Osvaldo estava na mesma sessão e que saiu umas três vezes para atender o celular, depois descobri que ele saia para beber latinhas de cerveja. Quando o filme terminou tinha duas chamadas no meu celular, uma de Jack e outra de Livia. Liguei para as duas, Jack estava numa festa muito doidja e Livia estava chegando em um bar para tomar cervejas. Recusei os dois convites e comprei o founde de morangos com chocolates. E comendo aquele morango percebi que tudo e todos continuam iguais, inclusive eu. E que bom!
Peguei um táxi de volta e lá estava eu, mais uma vez, comigo mesmo. E dessa vez foi gostoso, foi aconchegante. Lá estava eu com meu tênis baixo, com pensamentos só meus, com meus clichês que ADORO, com meu mal-humor super irreverentes para mim. Lá estava eu, feliz de novo.
- Estou pensando em um outro blog. Esse tá bagunçado demais, nem releio o que escrevo, peço desculpas de novo pelos possíveis milhões de erros-
Marilia Gil, mais uma vez você. Menina, até agora leio seu comentário no penúltimo post. Vejo que nossa conversa me acalentou e de certa forma funcionou terapeuticamente comigo. Você me apoiou como ninguém o fez. De forma dura e carinhosa ao mesmo tempo, como consegues?
É engraçado como eu me perdi tentando ser eu. Parece que na busca do meu eu, deixei de lado justamente oq era mais essencial de mim. Fico vendo como as coisas se repetem e isso me deixa numa raiva absurda, como se eu não tivesse caminhado.
Tentando fixar-me, perdi-me. Mas chega! Chega de fugas desleixadas. Quero estudar, só conhecer pessoas que me acrescentem algo, ficar com minha família, rir com meus amigos, ler… E-VO-LU-IR!
Quero aproveitar o espelho, ver-me e acariciar-me. Novos tempos, a música do Mozart saiu do silêncio [lembram?], já escuto seu ritmo de novo.
Chega de vazios, quero me encher. Me encher de mim, até esborrar.
. Anaïs Nin .